Uma segunda-feira qualquer

É uma segunda-feira como qualquer outra, e eu aqui sentada a mesa escrevendo enquanto bebo uma xícara de café fresquinho que a Ana fez. Revezando entre tratar algumas fotos e fazer as unhas, haha! Porque sou dessas. Enquanto lá fora o dia promete um calorão daqueles…

Acabo pensando que há seis meses atrás começava a primavera, estávamos perdidas entre uma quantidade absurda de caixas por todos os lados, havíamos acabado de nos mudar para cá, nosso cantinho, escolha das duas, lar de quatro gatas e um cachorro. Parece pouco tempo e é, mas tanta coisa já mudou!

Se eu voltar mais um pouquinho a fita, lá em fevereiro do ano passado quando nos encontramos a ficha caiu na hora, já sabíamos que o que encontramos uma na outra era exatamente o que tanto nos faltava… E o engraçado é que no fundo, não parece que um ano já se passou, parece que foi ontem que ela me mandou aquele Oi, parece que foi ontem que a gente marcou aquele café e parece que foi ontem que eu quis ser só dela, de corpo e alma.

E mesmo com tanta coisa acontecendo sempre e as mudanças que são constantes ou o relógio que não pausa por um momento o seu tic-tac, fica a certeza de que a cada dia eu a amo e admiro mais. E mesmo que daqui a seis meses talvez eu não esteja em casa em uma segunda-feira como essa, escrevendo um texto e bebendo meu café, mesmo que talvez tenhamos nos mudado daqui para outro lugar, mesmo que ela tenha raspado o cabelo e eu entrado para uma seita de adoradores de café…

Mesmo assim, a minha segurança, a minha certeza é ela e o nosso amor é o meu porto seguro para onde eu sempre quero voltar depois da tempestade. E isso me basta para ser feliz.

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Hoje eu não me importo com o que não importa!

Por muito tempo eu tive medo, não do que as pessoas iriam pensar, não do que elas falariam, mas sim de sofrer por ter uma vida diferente do que a sociedade impõem… Medo de sair da caixinha que somos educadas e pressionadas a ficar, medo de ser agredida ou violentada, de perder meus direitos e o respeito que mereço como qualquer mulher, ou até mesmo de acharem que não seria uma boa pessoa pela minha opção sexual.

Acreditava a ponto de não publicar fotos com a minha namorada em modo público com medo que pessoas que não me conhecem fizessem um pré julgamento até do meu trabalho, e um dia eu falei isso para a Elis, e foi aí que ela mais uma vez me falou algo que me fez acordar para a vida…

E você? Quer fotografar alguém que acha que você é uma má pessoa só porque é homossexual? Quer fotografar alguém preconceituoso e antiquado que pensa que você vai para o inferno por não viver conforme a sociedade julga correto? Quer fotografar alguém que acha que você não tem o mesmo direito a vida como ele tem porque você vive com outra mulher? a minha resposta foi não!

Não quero fotografar alguém se não for de uma vibe boa como a nossa, não quero fotografar alguém que não viva o amor pela sua família e pela sua própria felicidade, não quero fotografar alguém que se preocupa mais com quem eu durmo do que com a bondade que levo no coração, não quero fotografar alguém que está mais preocupado em julgar a vida do próximo do que viver em harmonia sua própria vida e escolhas…

Então hoje posto várias fotos que fiz com a parceira que escolhi para mim e que vem me ajudando a perder o medo, que vem contribuindo para que eu seja a cada dia um novo ser, mais resolvido e de bem comigo mesma. Minhas fotos mudaram muito de um ano para cá, isso vem refletindo muito na nova pessoa que venho me tornando também… O medo continua aqui, um pucadinho menor, assim como você minha educação foi dentro da caixa, mas tento a cada dia melhorar a forma que vejo o mundo do outro.

Afinal por muito tempo aceitei que eu tinha mesmo que abaixar a cabeça e acho que todo mundo recebeu essa mesma educação que nos engessa dentro de uma forma que não foi feita para nós… Hoje mais que nunca me pergunto quem foi que fez um mundo inteiro se dividir e preferir o ódio ao amor!

Então espero querido novo cliente que você me contrate somente se me vê como a profissional competente que sou, e que se você for cheios de julgamentos e dedos apontados ache alguém da mesma vibe que você!

Mas se você vier pelo meu trabalho, vai ver que do lado de cá, não tem julgamento nem maldade, só a vontade de tornar tudo mais bonito com muito carinho e amor!

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Sobre o nosso ano

Estamos a caminho para a casa da minha mãe, estamos no bus agora e a Elis está dormindo com a cabeça no meu ombro. Hoje fez um calor de matar em Blumenau e chegar em Floripa com essa chuvinha é simplesmente uma benção.

Olhando pela janela me veio à cabeça que é o primeiro natal com ela, o primeiro começo de ano também, nós passamos por tantas coisas nesses últimos meses que é difícil acredita. Em 2016 terminamos nossos antigos relacionamentos, eu saí do meu completamente endividada e a Elis não saiu muito diferente…

Lembro que quando começamos a namorar  eu disse para ela que não tinha nada a oferecer, tinha saído da minha antiga vida sem casa, sem carro, sem móveis, eu e com meu cachorro apenas, mas com bastante contas para pagar. Ela disse que não se preocupava com nada disso, não importava porque juntas resolveríamos tudo!

 

Eu por minha vez já fazia mil contas na cabeça e deduzia que para por a casa em ordem ia levar uns bons três anos. Em 2016 nós não fizemos grandes viagens, não jogamos aquele jogo cliché de tentar impressionar o outro com cifrões, não fizemos aviõezinhos de dinheiro na companhia do Silvio Santos, mas aproveitamos todas as coisas boas que nos cercam, as simples, as que importam e valem a pena.

Sempre perto de nossa família e amigos, perto daqueles que realmente se importavam e torciam pela gente. Passamos longe de toda e qualquer negatividade. E com muito esforço e trabalho duro colocamos todas as nossas contas em dia, em um ano!

E hoje eu sei, nada nesse mundo paga o preço de ter saúde, ter as coisas em ordem, estar de bem com sua família, ter alguém te esperando em casa com aquele café no ponto, sabe?

Alcançamos a nossa primeira meta, temos uma câmera e uma lente novinhas e a Elis já pode fotografar comigo, agora ela não é somente a minha leal namorada, mas também minha aprendiz de fotógrafa dedicada! Como é bom encontrar o seu porto seguro na pessoa que caminha ao teu lado.

Pensando em todas essas coisas, dá para ver que 2016 foi um ano bom. Foi um ano de renascer, de se perder e também de se encontrar, de ouvir e aprender e saber com quem no fim a gente pode contar. É preciso ter gratidão por estar onde se está, não são os caminhos que nos levam, somos nós e a nossa fé na jornada.

Que nesse ano novo a gente se programe para organizar mais ainda nossas vidas juntas, e alcançar tantos outros sonhos que temos e tantos outros que ainda vão surgir! Que não falte amigos ao nosso lado, que não falte aventuras para viver e histórias para contar, porque amor sempre vai ter de sobra.

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Dividindo a cozinha com ela

A Elis não sabia cozinhar nada. Ok, ela sabia fazer miojo instantâneo, mas isso não conta exatamente como experiência culinária, né? Eu da minha parte, que aprendi a cozinhar com o meu pai ainda criança, nunca a forcei a aprender, mas achei fofo quando ela se demonstrou interessada em me ajudar na cozinha enquanto eu preparava nossas refeições.

Ela já lavava a louça e arrumava toda a bagunça que eu fazia cozinhando, mas ver ela ali do meu lado fazendo algo simples, às vezes preparando a salada ou mesmo descascando uma batata me animava muito, pela simples parceria que rolava na cozinha. Sabe, sou daquele tipo de pessoa que acha um barato cozinharmos juntas.

A Elis é estabanada por natureza, não sabe nem a quantidade de sal que deve colocar no arroz, mas sorridente ela tenta aprender tudo e eu fico feliz com isso, penso que se um dia não estiver mais por aqui para fazer a janta dela, ela se vira sozinha, sobrevive nessa selva de temperos!

Essa semana ela chegou na sala enquanto eu trabalhava e falou: Hoje eu vou fazer a comida. E fez, ela fez toda a janta sozinha, legumes assados com carne e com direito a ensopadinho de vagem! Fiquei pasma, muito mais pasma porque ficou ótimo! Minha mulher já se vira sozinha…

E saber que participei desse processo sem forçar ou ser chata me deixa orgulhosa. Ela teve vontade de cozinhar pelo fato de dividir a cozinha comigo e assim passavámos mais tempo juntas, ao invés de esperar no sofá assistindo uma série como eu sempre insistia que ela fizesse, mas ela é teimosa.

Essas coisinhas bobas do dia-a-dia fazem uma diferença enorme em um relacionamento, vocês não fazem ideia! Se quiser uma dica pra uma relação saudável, aí vai: Ajude, aprenda e divida sempre. Mas não porque o outro está pedindo, e sim porque você ama e quando a gente ama estar perto e ver o outro bem é que nos move, o que nos faz melhor!

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O girassol na livraria

Se eu tivesse de usar momentos para mostrar o porque de eu amar tanto a Ana, esse seria o primeiro deles. Eu estava dentro de uma livraria, um dos meus lugares preferidos no mundo, esperando ela voltar. A gente tinha tomado um café em uma mesinha pequena daquela de dois lugares, um dos nossos primeiros de tantos cafés, onde sempre conversávamos sobre tudo! Depois ela me pediu um minuto, disse que eu podia esperar ela ali na livraria…

Acabei me distraindo entre os lançamentos do Stephen King e não vi quando ela entrou pela porta. Ela me viu antes. E quando me virei sem motivo naquela direção, vi ela caminhando ao meu encontro com um girassol na mão. A minha flor! (Por causa dela.) Só de lembrar consigo reviver aquele momento, mil vezes e sempre me sinto do mesmo jeito.

Sorriso bobo, sem acreditar, me escondi com o meu girassol no abraço dela. Ela com aquele sorriso que eu já não poderia viver sem. Não estava acostumada com essas pequenas declarações de amor diárias que a gente tanto precisa sem saber, que confirmam as verdades que vem do fundo da alma sobre estarmos no lugar certo do jeitinho que somos.

Duas atendentes que estavam ali perto se emocionaram junto e não esconderam de ninguém como acharam tudo aquilo muito fofo! Escolhi o meu livro e saímos da livraria de mãos dadas, aquele dia o meu coração já era dela.

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Sobre me encontrar nela

A Elis foi um encontro inusitado. Eu já tinha vivido muita coisa quando conheci ela e não esperava viver um grande amor, nem mesmo acreditava que poderia encontrar alguém como ela. Veja bem, não estou querendo dizer que vivo um relacionamento perfeito ou que ela é perfeita, mas sim que pela primeira vez vivo aquilo que esperava de uma relação amorosa.

Somos o tipo de casal daqueles que eu sempre admirei, quando nos olhamos a gente sabe o que estamos pensando e quase sempre é: ‘Meu Deus ela é minha’, e não é aquele minha de posse ou de propriedade que ninguém pode encostar, é aquele minha de que ela poderia ter quem quisesse ter no mundo e ela me escolheu.

E quando encontro aqueles olhos castanhos olhando diretamente para os meus, o único pensamento que passa pela minha cabeça é; como consegui viver tanto tempo sem essa menina? E  a resposta que surge é que eu precisava viver tudo que eu vivi para então ser capaz de valorizar esse momento, porque ela me faz gostar da pessoa que sou, ela me faz querer ser melhor todos os dias, e mesmo quando a gente briga eu tenho que me segurar para não rir ou para não abraçá-la, porque eu sou tão boba que não acredito que tenho ela para brigar! Pode isso, gostar até das brigas com ela?

Sabe amor, eu sei que faz pouco tempo que existe esse nós, e todo mundo sabe que todo começo é maravilhoso e tudo termina em sexo, mas eu já tenho idade suficiente pra saber que nunca foi assim antes e que eu jamais vivi isso com alguém. Por mais que tivemos relacionamentos bacanas antes, nenhum nunca preencheu tantos espaços vazios como você preenche…

E eu posso estar sendo uma boba apaixonada, mas eu sei que o que eu sinto não é mais só paixão, o que eu sinto por você é aquilo que chamam de achar sua alma gêmea, hoje eu sei que você é minha metade. Porque como diz a Paula Toller os outros ficaram sempre sendo os outros e nada mais, depois de você!

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O meu “me assumi”

De vez em quando alguém me pergunta como me “descobri” lésbica ou se eu sempre soube e como foi me assumir e me aceitar do jeitinho que sou. A essa altura eu já poderia ter uma resposta padrão, mas não é assim que acontece… Na verdade acho muito fácil e ao mesmo tempo difícil falar sobre isso. Acredito que o entendimento depende mais de quem escuta do que de quem conta uma história.

Eu cresci em uma cidade pequena, morava no interior do interior de Timbó! Fui criada somente pela minha mãe com os meus dois irmãos, entre tios e avós extremamente rígidos e católicos fervorosos. Da minha infância tenho várias lembranças de adormecer no colo da minha mãe no meio de novenas e missas. Ainda criança fui introduzida na religião testemunhas de jeová, onde meu irmão mais velho fazia parte. Então sim, por muito tempo você poderia me encontrar no domingo de manhã batendo na porta de estranhos e falando sobre a bíblia (um dos primeiros livros que li por inteiro).

Talvez por morar em uma cidade pequena meio interiorana, sempre em meio a grupos de pessoas mais velhas e religiosas não lembro de ter até a maioridade sequer uma referência de casal lésbico ou de uma única lésbica. Para falar a verdade acho que conheci a primeira mulher lésbica assumida quando já era adulta.

A parte engraçada, é que lembro de conhecer homens gays quando criança, ouvir piadinhas de outras pessoas sobre aquela “bichinha” que era o menino mais delicado e excluído da escola. Mas ninguém nunca, jamais falava sobre lésbicas. Hoje me pergunto, onde elas estavam?

E a resposta óbvia que me ocorre é: vivendo suas vidas do jeito que fosse mais fácil para todos à volta ignorarem sua existência. Tentando passar despercebidas, fingindo ser algo que não eram, porque o que elas eram de verdade a sociedade não podia aceitar.

Eu cresci ouvindo regra atrás de regra sobre o certo e sobre o errado. Eu cresci ouvindo minha mãe falar que eu precisava me casar com um homem da igreja, conseguir um emprego na malharia da cidade, economizar para comprar um terreno onde construiria minha casa. Eu cresci seguindo um padrão, decorando versículos da bíblia e quando não tinha ninguém olhando, sonhando como poderia ser minha vida longe daquilo tudo.

Mais de uma vez tentei me revoltar contra tudo que esperavam que eu fosse. Eu tive fases de me vestir só de preto, de ouvir só rock pesado, de sair sexta-feira a noite escondida para beber vodka barata na praça, de me rebelar na escola, em casa ou em qualquer outro lugar.

Tive namorados, sai de casa e voltei, pedi demissão em alguns empregos por outros melhores. Nessa época acabei me dando bem nesses empregos melhores e fui promovida, me mudei da cidadezinha onde me obrigavam a aprender o torto como direito, fui morar e trabalhar na grande Florianópolis. Mudei muito como pessoa, vivendo para e dependendo somente de mim. Eu escolhia tudo desde a hora da janta até a cor dos prendedores de roupas do varal.

Nessa fase amadureci muito como pessoa. Vários conceitos e ideias pré-estabelecidas se foram dando espaço para coisas novas e um jeito diferente de ver o mundo. Conheci pessoas muito boas e outras nem tanto. Mas eu não estava feliz ali e não entendia o porquê. Então, por decisão própria pedi desligamento da empresa que trabalhava, contratei um caminhão, consegui várias caixas na lojinha da esquina e resolvi voltar. Eu precisava voltar para o lugar onde por tanto tempo me senti prisioneira.

Voltei da capital do estado para dentro de um quartinho na casa da minha mãe, meus livros mal cabiam ali. Comecei a me cuidar e cuidar da minha saúde, pois desde que havia saído de Timbó havia negligenciado o fato de ser diabética e também aumentado muito de peso devido problemas de ansiedade que tinha na época. Reencontrei amigos dos quais sentia muita falta. Comecei a caminhar todas as noites com a minha mãe. Fiz várias coisas que tinha vontade como pintar o cabelo de azul, verde e rosa também. Fiz a minha primeira tatuagem. Adotei uma gatinha preta, minha companheira desde então, a Café!

Encontrei um novo emprego como vendedora, com ajuda da academia e uma alimentação saudável consegui controlar a diabetes e perder peso. De pouquinho em pouquinho tudo foi acontecendo. Um dia no meu trabalho conheci uma menina e me senti atraída por ela. Uma coisa engraçada sobre mim é que sempre me senti atraída fisicamente por mulheres, mas nunca pensei que isso queria dizer alguma coisa. Por exemplo, que talvez ficar com mulheres faria mais sentido para mim? Começamos a conversar e um dia rolou um beijo.

Não existiu um momento onde eu falei ou decidi: Oi, sou lésbica. Uma coisa levou a outra e quando eu me vi em um relacionamento sério com outra mulher, percebi que aquilo fazia muito mais sentido do que todos os relacionamentos que eu tinha vivido até então. A obviedade daquilo era absurda. Eu me sentia bem comigo mesma, me sentia eu. Minha mãe extremamente religiosa não gostou nada da ideia e as coisas ficaram bem complicadas em casa.

Minha mãe que sempre falava sobre casar com um homem da igreja, trabalhar em uma malharia 8 horas por dia, comprar um terreno parcelado e construir uma casa. Ela tinha criado três filhos de dois pais diferentes sozinha sem nenhuma pensão, trabalhado e comprado seu terreninho onde construiu a sua casa também sozinha. Porque ela achava tão importante a figura de um homem?

Percebi que era hora de partir, dessa vez na hora certa, dessa vez bem resolvida comigo. Me mudei para Blumenau onde tinha uma proposta de emprego à espera, onde um amigo achou um cantinho legal para eu e minha namorada morarmos e segui minha vida. Fiquei um tempo distanciada da minha mãe, ela fazia questão de fingir que não existia uma mulher na minha vida. Depois de algum tempo nós concordamos em discordar. Mais uma vez encontrei pessoas boas pelo caminho, aprendi muito e cresci mais um pouquinho como pessoa, acabei trocando de emprego para um melhor, adotei mais duas gatas e depois de um tempo meu relacionamento acabou.

E é aí que entra a Ana. Na época ela também havia saído de um relacionamento longo e a gente se encontrou nessas quebradas da vida, haha! Começamos a conversar e acho que depois do primeiro Oi dela eu já estava apaixonada. A nossa conexão foi imediata e a vontade de estar juntas sem tamanho! E hoje ela é o meu porto seguro, minha base e minha inspiração. Não consigo imaginar acordar sem ela do meu lado, não consigo imaginar fazer café só para uma xícara, não consigo imaginar um dia da minha vida sem aquele jeitinho que ela tem de me olhar enquanto faz um carinho no meu rosto ou mexe no meu cabelo.

Porque ela é a minha luz. E eu só tenho a agradecer por ter ela na minha vida.

E como ficou minha mãe? Teve muita discussão, briga, mágoa e revolta de ambas as partes, mas com o passar dos anos aos poucos tudo foi perdendo a intensidade. Quando paramos de bater na mesma tecla e seguimos nossa vida apenas como mãe filha tudo melhorou. Um dia ela me viu como qualquer outra pessoa trabalhando todos os dias, pagando minhas contas, levando presente no natal, pegando resfriado no inverno e entendeu que ser lésbica não me fazia diferente de ninguém e aos poucos nos reaproximamos.

Hoje em dia ela adora a Ana de paixão, quando a gente vai visita-la ela não quer deixar a gente ir embora e quando ela vem aqui em casa, chego do trabalho e encontro as duas vendo série bíblica na tv! É muito engraçado. Nunca perguntei para ela o que mudou, se ela me aceita ou aprova o meu relacionamento com a Ana, porque eu não preciso perguntar. Basta lembrar que quando a gente se fala no telefone na hora do tchau é sagrado: Beijo para vocês, fiquem com Deus.

E isso me basta para saber que não existe melhor sentimento de gratidão no mundo do que esse, de ser grata por me aceitar do jeitinho que sou.

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