Porta-retrato trincado

Um fato sobre mim: Adoro ouvir a história da vida de outras pessoas. Histórias de infância, histórias de amor, histórias de família ou histórias sobre bebedeiras com amigos, basicamente, todo tipo de história. Sou fascinada pelo momento onde o outro fala e olhando no olho da gente conta a sua vida, se tudo isso acontecer servidos de um café, então, nem se fala.

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Hoje ouvi um pouco da história de uma pessoa muito querida e voltei pra casa com a cabeça cheia, pensando em tanta coisa ao mesmo tempo, e por isso resolvi escrever. De vez em quando dá esse click, você também já deve ter pensado nisso, foram nossas experiências boas ou ruins que nos trouxeram até aqui, foram elas tijolo por tijolo que nos fizeram quem somos. Não somente as experiências, mas também, as pessoas que encontramos entre baixos e altos.

Por muito tempo acreditei que a vida não era legal comigo porque não tive um pai, porque com seis anos fiquei diabética, porque minha família passou por muitas dificuldades, porque minha mãe não era uma mãe carinhosa de comercial de TV. Por muito tempo acreditei que a vida era injusta comigo, que eu não tinha feito nada para merecer essas coisas… E como a lei de Murphy exige, algo pior acontecia só para reafirmar minha teoria.

Hoje eu sei do meu maior equívoco, que era olhar só para mim.

Era sofrer porque eu não tive um pai, pai esse que em algum momento eu acredito que também sofreu por não me ter. Era sofrer porque dependia de medicações e vivia entre restrições e cuidados, mas não valorizava o simples fato de alguém cuidar de mim. Era sofrer porque a vida às vezes era bastante precária mas ao menos não estávamos sozinhos. Era sofrer porque minha mãe era uma pessoa difícil em vez da mãe de comercial de TV que eu queria, mas não pensar que a mãe dela talvez não tivesse sido fácil também, que o caminho dela até ali tivesse sido pesado demais para uma pessoa sozinha…

E a verdade é que: todo mundo tem uma história triste lá trás. Todo mundo tem um porta-retrato trincado que não consegue se desfazer ou uma cicatriz que dói nos dias de chuva.

Não somente as coisas boas nos constroem e moldam, as não tão boas tem boa parte do trabalho. Mas o que eu gosto de pensar é que sobrevivemos, podemos nos orgulhar, afinal somos duros na queda. Apesar dos dias ruins estamos aqui, estamos bem, estamos contando a nossa história para outra pessoa! São coisas que acontecem e acontecem com todos. Nossa missão não é apenas passar pelas tempestades, mas sim aprender algo. Não deixar nenhum sofrimento ter sido a toa. Valorizar o presente e tudo que nele te faz sorrir, essa vai ser a parte preferida da sua história um dia.

E se o seu hoje não for nada daquilo que você imaginou, tente não se amargar para tudo que acontece ao seu redor, veja além… Somos uma mudança constante, você não é a mesma pessoa de um ano atrás e certamente não será a mesma daqui a um ano! Doze meses é bastante tempo. E as coisas mudam e mudam rápido demais. Cenários que parecem estagnados do nada se desfazem. Se você ainda não chegou onde gostaria de estar, continue caminhando. Tenha calma, um dia tudo vai valer a pena e você vai entender porque a caminhada foi tão longa.

Muito falo por mim, que tanto esperneei e briguei. Hoje tenho orgulho da minha história. Claro que alguns dias são mais difíceis, mas esse não é um deles e só isso já é motivo para agradecer. Olho ao meu redor e só posso, e quero ser grata. Porque para estar onde estou levou muito tempo, mas quer saber? Eu não mudaria nada.

Isso pode parecer piegas, mas é tão bom se sentir equilibrada, não se sentir o centro de nenhum universo, mas sim parte dele como um todo. É tão bom saber apreciar os pequenos momentos como um cafuné da minha namorada enquanto estamos jogadas no sofá assistindo nossa série numa quinta-feira à noite, porque só com o tempo aprendemos a valorizar tudo que nos cerca em vez de reclamar, a valorizar principalmente as pessoas. E a pessoa que eu tenho hoje ao meu lado, sem brincadeira, eu não poderia ter mais sorte. Não me permito esquecer disso nem por um minuto.

Mas espero sinceramente, continuar mudando e muito! Espero daqui a um ano ter outras ideias, discordar, concordar, agregar, questionar e tudo mar. Porque é mudando e aprendendo com as mudanças, sendo grato pelas coisas que a gente evolui. A jornada é longa e nos aguarda!

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