Voltando para São José

Já fazem quatro anos que voltei de São José para Timbó. Bom, na verdade hoje moro em Blumenau. Pera aí, deixa eu explicar melhor… Em 2011 me mudei de Timbó para a Grande Florianópolis à trabalho, e foi uma grandeee mudança. Nasci em Blumenau mas cresci em Timbó, então sempre fui acostumada a essa cidade pequena e tranquila, aos caminhos conhecidos e rostos familiares, aos velhinhos simpáticos que te cumprimentam na rua porque te conhecem desde criança e onde também depois das 20h não se encontra nada aberto. Logo, Floripa foi uma explosão de diferenças e novidades com um choque cultural.

E eu adorava São José. Para mim o nome dessa cidade está ligada a cafés e a pão de queijo, ao vento forte que aliviava o calor do verão, das buscas de tesouros em sebos no horário do almoço, das aventuras em ônibus errados, de beber água de coco fresquinha naquela beira mar tão linda…

Fico muito triste em pensar que estive em um lugar tão bacana e tão cheio de oportunidades, porém não na melhor fase da minha vida, mas apesar de muitas coisas não terem dado certo, fico também orgulhosa de saber que fui madura o suficiente para aceitar o que deu errado, fazer as malas e voltar para casa. E aí fiquei quase um ano morando com a minha mãe até me mudar para Blumenau há 3 anos. Já a Ana está aqui em Blu há uns dez anos, mas cresceu em São José, na tal Grande Floripa.

E no dia 18 de agosto nasceu o Adryan, sobrinho da Ana e lá fomos nós, rumo à São José.

Infelizmente nunca mais havia voltado pra Floripa e no começo foi uma sensação estranha. Mas depois senti uma sensação familiar, pois naquela época costumava ir e voltar muito até Timbó nos finais de semana e feriados. Então eu estava na mesma posição que estive a uns cinco anos, mas uma pessoa tão diferente… Que bom, né?

E quando olhei para o lado e vi a Ana ali, só pude pensar que esse era o jeito certo de voltar para aquele lugar tão importante na minha história de vida, na verdade eu percebi que esse era o jeito certo de voltar ou chegar em qualquer lugar, com ela. Quando passamos pela beira mar, meu lugar preferido de São José e vi aquele azul sem fim lembrei daquela garota sozinha sentada ali pensando na vida, às vezes na companhia de um livro, cheia de perguntas, com um pouco de medo mas sempre com fé nas coisas boas que acontecem ao acaso. Sou dessas.

Bateu aquela vontade de voltar no tempo, segurar meus ombros, olhar nos meus olhos e falar: Pare de ser boba, não se preocupe com essas coisas porque elas não vão importar nada daqui um tempo, você não tem como saber agora mas você vai ser MUITO feliz, você vai voltar aqui com ela e toda espera, toda angústia, toda insegurança e até todo sofrimento não vai importar porque pela primeira vez você vai saber o que é estar no lugar certo com a pessoa certa.

A Ana diz que eu tenho esses discursos motivacionais que solto ao primeiro “Ai…” ao meu redor e pra ser sincera eu realmente acredito que as coisas sempre vão dar certo, não é balela! Mas se eu não acreditar, como vai ficar? Não dá para esperar que a vida vai ser sempre um mar de rosa com café e rosquinhas de graça mas não dá pra perder a fé, não dá pra se achar desmerecedor de ser feliz, é muito injusto consigo mesmo! E lá na frente, como é bem sabido, o mundo dá muitas voltas (no seu próprio eixo e ao redor do sol) e tanta coisa muda!

E pra finalizar, isso me lembra uma frase do meu estimado Jack Kerouac: “Mas permita que a mente tenha cautela, porque apesar de a carne ser maltratada, as circunstâncias da vida são bastante gloriosas.”

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2 comentários sobre “Voltando para São José

  1. É. Acho que o momento que melhor descreve essa insegurança na minha vida foi quando peguei um voo pra Itália e embarquei nessa longa jornada de trabalhar a bordo. E se eu me encontrasse no aeroporto de Roma (uma menina assustada, com medo de ser deportada) e tivesse a chance de me dar um conselho, eu diria a mesma coisa que você: Você vai ser feliz. Porque no fim, não importa muito bem o que aconteça, a gente sempre descobre um jeito de chegar lá. A gente sempre acha um bom caminho, apesar de tudo.

    Agora só me falta achar um mozão pra chamar de meu. Um Samoa, quem sabe. hahahaha

    Amei o texto. 🙂

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